A Capoeira Angola é extremamente variada, nela existem combinações de inúmeros movimentos que carregam uma forte simbologia.
Como a maioria dos rituais de matriz africana, a roda de capoeira possui ritual e ritmo.
O jogo é caracterizado por haver fluidez, "respostas às perguntas" que são feitas, ou seja, não se joga sozinho.
Luta, dança, manha, teatralidade e plasticidade são alguns dos elementos encontrados dentro da pluralidade dessa arte.
Na capoeira angola o jogo está em total conexão com a musicalidade. A bateria tem a responsabilidade de contagiar, através do toque e do canto, toda a roda, fazendo com que o jogo torne-se mais vibrante.
Torna-se importante dizer que o cantar na capoeira vai além da função motivacional para os jogadores, pois, na verdade, ele é o elemento que faz a conexão com a nossa ancestralidade. Estórias antigas da diáspora africana, ícones da nossa cultura e situações do cotidiano são lembradas através do canto, e através dessa oralidade o conhecimento é passado de geração à geração.
O conhecimento dessa arte se faz através da prática, da observação e do estudo.
Através das rodas, oficinas e convivência com outros praticantes, sobretudo com os mestres, é que conseguimos obter o entendimento necessário para decifrar os diversos códigos que esse jogo apresenta.
O "ser angoleiro" é algo que se faz com o tempo, com dedicação e paciência.

Em nossos treinos, além, é claro, do movimento corporal proposto pela capoeira angola, trabalhamos com a musicalidade e filosofia dessa arte. O micromundo(roda) é uma preparação para o macro. Na capoeira encontramos diversas situações e aprendemos a contorná-las de diferentes formas. Essa pluralidade de desafios, para nós, contribui para o desenvolvimento corporal e cognitivo do praticante.
Hoje vivemos em um mundo altamente imediatista, onde as pessoas, muitas das vezes, são levadas a responder automaticamente aos estímulos apresentados. Em nossa prática convidamos as pessoas a desconstruírem essas idéias e olharem a vida por uma outra perspectiva. Propomos uma pausa, uma reflexão diante dos desafios. O jogo da capoeira, como diz Mestre Moraes, é constituído de perguntas e respostas, e só através da prática constante, embasada na observação e na serenidade, é que obtemos a discernimento para dialogar de forma coerente com diferentes mundos.
Em nossas vivências descobrimos a capoeira em vários aspectos: como luta, como teatralidade, como política, como brincadeira e como expressão corporal-verbal, sentimental e espiritual. Enfim, dentro dela somos levados a percorrer diferentes caminhos.
Nosso espaço é aberto a todas as pessoas, independente de classe social, segmento capoeirístico, credo ou nacionalidade.
Após mais de 20 anos de prática e dedicação à capoeira angola, Carlo Alexandre, Mestre Carlão, um dos últimos representates do GCAP no Rio de janeiro, funda o Kabula(2004).
Em 2007, através da parceria com o Trenel Leandro Bicicleta, surge o núcleo do Kabula/RJ.
Temos a proposta de formar e informar pessoas de todo o mundo através da capoeira angola, levando a diferentes classes sociais a possibilidade de ver o mundo por uma outra perspectiva.
Acreditamos que através dessa arte, apesar do anti-humanismo exacerbadamente praticado em todo o mundo, podemos, aos poucos, criar consciências que favorecerão o nosso convívio e bem-estar.
A prática da capoeira angola propõe uma volta no tempo, uma reflexão acerca dos antigos ensinamentos, uma volta às origens, às raízes. Baseados nessas constantes retrospectivas, sem abrir mão das novas experiências, vamos contruindo o nosso presente.
O Kabula Capoeira Angola baseia-se nos ensinamentos de diversos mestres angoleiros, sobretudo daqueles que fizeram parte do GCAP(Grupo de Capoeira Angola Pelourinho), fundado no RJ por Mestre Moraes e seus alunos.
Mestre Carlão

Carlo Alexandre é natural do Rio de Janeiro. Começou a praticar Capoeira Angola em 1982 no GCAP. Foi aluno dos Mestres Marco Aurélio, José Carlos e Armandinho. Coordenou em Niterói um dos últimos núcleos do GCAP no Rio de Janeiro. Atualmente mora na Inglaterra e coordena o Kabula Londres.
Leandro Bicicleta

Leandro Silva, nasceu em 1979 e começou a praticar Capoeira Angola em 1997. Iniciou seus treinos com o Trenel Alexandre e com Mestre Mano, mas foi com Mestre Edson que essa prática se consolidou. Em 2007 filia-se ao Kabula, onde é orientado por Mestre Carlão, e passa a coordenar as atividades do Grupo no Rio de Janeiro.